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← Voltar ao blog 06 de agosto de 2026

Agosto Azul: o homem que foge do urologista está fugindo de quê, exatamente?

Agosto é o mês da saúde do homem. Entenda por que tanto homem adia a consulta, o que o check-up urológico realmente envolve (não, não é só o toque) e a partir de que idade ir. Quanto antes se descobre, maior a chance de resolver.

Agosto é o mês da saúde do homem, o Agosto Azul. E toda vez que chega essa época eu penso na cena que se repete no consultório o ano inteiro: o homem que só apareceu porque a esposa marcou, ou porque a dor ficou insuportável, ou porque um exame de rotina de outra especialidade veio alterado. Quase nunca ele chega por vontade própria, sem sintoma nenhum, só pra checar. E é justamente essa consulta, a que ninguém marca, a que mais salva.

Então deixa eu usar o mês pra falar de uma coisa que parece boba e não é: por que o homem foge tanto do urologista, e o que ele está adiando de verdade quando faz isso.

Por que o homem adia (e não é preguiça)

Tem uma estatística que se confirma na porta do consultório todo dia: o homem procura o médico menos que a mulher, e quando procura, chega mais tarde, com o problema mais avançado. Isso não é preguiça. Costuma ser uma mistura de três coisas.

A primeira é a ideia de que “médico é pra quem está doente”. O homem cresceu ouvindo que aguentar é sinal de força, então enquanto dá pra levar, ele leva. O problema é o seguinte: as doenças urológicas mais sérias, incluindo o câncer de próstata no começo, não doem e não dão aviso. Segundo o INCA, o câncer de próstata é o segundo tumor mais comum entre os homens no Brasil, com cerca de 65 mil casos novos por ano. E ele tem uma característica que muda tudo: descoberto cedo, ainda mudo, é dos que mais têm chance de cura. Descoberto tarde, quando já dá sintoma, a conversa é outra. A diferença entre esses dois cenários costuma ser uma consulta que o homem não marcou.

A segunda é o medo do exame, e todo mundo sabe qual: o toque retal. Esse medo é tão grande que faz o homem não ir de jeito nenhum, mesmo quando o toque nem entraria naquela consulta. Já volto nesse ponto, porque tem muita coisa mal contada.

A terceira é a vergonha de falar. Falar de xixi, de ereção, de libido, de uma dor num lugar que ninguém comenta. É a mesma vergonha que eu vejo quando alguém demora pra tocar no assunto da disfunção erétil ou da ejaculação precoce. O homem prefere carregar sozinho a dizer em voz alta. E carregar sozinho é o que transforma um problema pequeno num problema grande.

O que o check-up realmente envolve (não é só o toque)

Aqui está a parte que mais desarma o medo, então presta atenção. Uma consulta urológica de rotina é, na maior parte do tempo, conversa. Eu pergunto como está o jato de urina, se você levanta muito à noite pra urinar, se sente que sobrou xixi na bexiga, como anda a parte sexual, se tem caso de câncer na família, o que você toma, como dorme, como está o peso. Isso sozinho já me diz muita coisa.

Depois vêm os exames, e vale separar o que é o quê:

  • Exame de sangue (PSA): uma coleta comum, igual a qualquer outra que você já fez, que ajuda a avaliar a próstata.
  • Exame físico: a avaliação geral e, dependendo da sua idade e da sua queixa, o exame da próstata.

Sobre o toque, vou ser direto com você: dura poucos segundos, é feito com o dedo e bastante lubrificação, e o desconforto é menor do que a fama que ele carrega. Ele não decide nada sozinho, trabalha junto com o PSA, porque cada um enxerga o que o outro não vê. E, principal: nem toda consulta precisa dele. Isso depende da sua idade, dos seus sintomas e do que a conversa e o sangue mostraram. Nada é feito em você sem explicação antes e sem a sua concordância.

Se você quer entender a fundo a parte da próstata, quando começa o rastreio e por que não dá pra empurrar com a barriga, eu escrevi um texto só sobre isso: o rastreio do câncer de próstata.

A partir de que idade, e quando ir antes

A regra mais conhecida é a da próstata, e vale guardar:

  • Aos 50 anos, todo homem começa a conversa sobre rastreio de próstata.
  • Aos 45 anos, se você é negro ou tem caso de câncer de próstata na família (pai, irmão), porque nesses casos o risco chega mais cedo.

Só que urologia não é só próstata, e é aí que muito homem de 30 anos acha que não tem nada com isso. Tem. Existe motivo pra procurar antes, em qualquer idade, quando aparece um destes sinais:

  • Ardência, dor ou dificuldade pra urinar, ou jato mais fraco que o de costume.
  • Vontade de urinar toda hora, ou acordar várias vezes à noite pra ir ao banheiro.
  • Sangue na urina ou no sêmen.
  • Qualquer mudança na ereção, na libido ou na ejaculação que esteja te incomodando.
  • Dor ou caroço no testículo. Esse não espera passar: procure logo.
  • Dúvida sobre vasectomia ou planejamento de ter (ou não ter) filhos.

Nenhum desses precisa virar drama na sua cabeça antes da consulta. A maioria tem explicação simples e solução. O que não ajuda é ficar pesquisando no escuro e imaginando o pior.

Onde eu entro nisso

Na consulta a gente faz o que o Google não faz: olha pra você, e não pra uma lista genérica de sintomas. Eu escuto sem pressa, entendo seu histórico, examino o que precisa ser examinado (e só o que precisa), explico cada passo antes de fazer, e a gente decide junto o que investigar. Com sigilo, sem julgamento e sem aquele clima de constrangimento que talvez esteja passando na sua cabeça agora.

E se for o seu caso de chegar sem sintoma nenhum, só pra fazer o check-up do Agosto Azul, melhor ainda. É a consulta mais tranquila que existe, porque é a que a gente faz com tempo, antes de qualquer coisa apertar.

O homem que se cuida não é o que nunca sente nada. É o que resolve marcar. Aproveite o mês pra ser esse.

Não deixe pra quando doer. Agende sua avaliação e coloque a saúde em dia. Atendo em Sertãozinho e região pelo (16) 98107-3903.


Dr. Pedro Lugarinho Menezes. CRM-SP 161726 / RQE 91992. Atendimento em Sertãozinho e região.

Dr. Pedro Lugarinho Menezes · CRM-SP 161726 / RQE 91992 · Atendimento em Sertãozinho e região.