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← Voltar ao blog 10 de setembro de 2026

Sífilis: a ferida some sozinha, mas a infecção continua (e tem cura)

A sífilis bate recorde no Brasil e 6 em cada 10 casos são em homens. Entenda por que a ferida some sozinha, como é o teste rápido e por que ela tem cura.

Uma feridinha no pênis. Redonda, lisa, que não dói, não coça e não solta pus. Em três ou quatro semanas, ela some sozinha. O homem respira aliviado e esquece o assunto.

É exatamente essa a armadilha. A ferida sumiu. A bactéria, não.

A sífilis não é doença do passado. O Brasil registrou mais de 250 mil casos em 2024, e os especialistas já tratam o quadro como uma epidemia persistente, que bate recorde ano após ano. Seis em cada dez casos são em homens, e a faixa mais atingida é a dos 20 aos 29 anos. A boa notícia é que ela tem diagnóstico rápido, tratamento conhecido há mais de 80 anos e cura.

Por que a ferida some (e por que isso engana)

A sífilis é causada por uma bactéria que entra pela pele ou pela mucosa durante a relação sexual, seja vaginal, anal ou oral. E ela avança por fases, com longos períodos de silêncio no meio.

  • Fase primária. De 10 a 90 dias depois do contágio, aparece a ferida no ponto de entrada: pênis, ânus, boca ou vagina. O nome técnico é cancro duro. Na maioria das vezes não dói, e por isso passa batida. Some sozinha em 3 a 6 semanas.
  • Fase secundária. Semanas depois, surgem manchas pelo corpo, muitas vezes na palma das mãos e na sola dos pés, além de ínguas, febre baixa, cansaço e até queda de cabelo em falhas. Parece alergia ou virose. E de novo, some sozinho.
  • Fase latente. Anos sem nenhum sintoma. A pessoa se sente ótima, mas a bactéria continua no corpo, e no começo dessa fase ainda pode ser transmitida.
  • Fase terciária. Anos depois, em quem nunca tratou, a infecção pode atingir cérebro, nervos, coração, ossos e olhos.

Não é à toa que a sífilis ganhou o apelido de “a grande imitadora”. Ela se disfarça de outras coisas e desaparece justamente quando a pessoa começa a se preocupar.

Por que ela voltou a crescer

Não existe uma causa só, mas alguns padrões se repetem.

A camisinha foi ficando de lado. Quem tem parceria fixa, quem já fez vasectomia, quem usa remédio de prevenção do HIV ou quem já passou da idade de se preocupar com gravidez costuma abandonar o preservativo. Só que a vasectomia e a prevenção do HIV não protegem contra sífilis.

O sexo oral também transmite, e pouca gente sabe disso. E ter sífilis uma vez não dá imunidade: tratou, pode pegar de novo. Quando só um do casal trata, a bactéria fica indo e voltando entre os dois.

Some a isso uma doença que quase não dá sinal, e está explicado por que tanta gente transmite sem saber que tem.

O exame é uma gota de sangue

O teste rápido de sífilis é um furinho no dedo, com resultado em cerca de 30 minutos. É gratuito no SUS, nas unidades básicas de saúde. Quando dá positivo, um exame de laboratório confirma e mostra em que ponto a infecção está.

Vale fazer o teste se você:

  • Teve qualquer ferida no pênis, no ânus ou na boca, mesmo que já tenha sumido.
  • Notou manchas na palma das mãos ou na sola dos pés sem explicação.
  • Teve relação sem camisinha com uma parceria nova.
  • Soube que a parceria teve sífilis.
  • Vai ter um filho. O pré-natal também é do pai.

Na mesma coleta, o ideal é testar também HIV e hepatites.

Tem cura, e o tratamento é antigo e eficaz

O tratamento da sífilis é feito com penicilina injetável, o mesmo antibiótico usado desde a década de 1940. É um dos raros casos na medicina em que o remédio mais antigo continua sendo o melhor. O número de doses depende da fase da infecção, e é o médico quem define, depois do exame. Não tome antibiótico por conta própria: tratamento incompleto deixa a bactéria no corpo sem você saber.

Três detalhes fazem toda a diferença:

  • A parceria precisa tratar junto. Senão, a reinfecção é questão de tempo.
  • Nada de relação até terminar o tratamento e o médico liberar.
  • O acompanhamento continua depois. Exames de sangue ao longo do ano seguinte confirmam que a cura aconteceu. Uma curiosidade: um desses exames pode continuar positivo em nível baixo pra sempre, como uma cicatriz no sangue, mesmo com a infecção curada. Por isso a interpretação é do médico.

A novidade no SUS

Desde março, o Ministério da Saúde autorizou o uso de um antibiótico, a doxiciclina, logo depois de uma relação de risco, pra prevenir sífilis e clamídia. A oferta na rede pública estava prevista pra começar até setembro. É uma estratégia pra grupos específicos, com indicação e acompanhamento médico, e não substitui a camisinha. Não é remédio pra tomar por conta depois de toda relação.

Um recado pra quem vai ser pai

Em 2024, o Brasil teve cerca de 24 mil bebês que nasceram com sífilis, passada pela mãe durante a gestação. Um dos motivos que mais se repetem: a gestante trata, o parceiro não, e a infecção volta pra ela. Fazer o teste é um cuidado com você e com quem ainda vai nascer.

Onde eu entro nisso

O urologista é o médico que o homem costuma procurar quando aparece uma ferida no pênis, uma ardência ou uma mancha estranha. Na consulta, a gente examina, pede os exames certos, trata e orienta como a parceria deve ser tratada também. Com sigilo e sem julgamento: as perguntas da consulta servem pra cuidar de você, nunca pra constranger. Se faz tempo que você não passa por uma avaliação, o check-up do homem é um bom começo.

A sífilis é perigosa pra quem não sabe que tem. Pra quem descobre cedo, é tratamento e acompanhamento.

Não sofra com isso. Procure seu urologista para avaliação.


Dr. Pedro Lugarinho Menezes. CRM-SP 161726 / RQE 91992. Atendimento em Sertãozinho e região.

Dr. Pedro Lugarinho Menezes · CRM-SP 161726 / RQE 91992 · Atendimento em Sertãozinho e região.