Os 4 estágios da sífilis (e por que a fase sem sintoma é a que mais engana)
Conheça os 4 estágios da sífilis: o que aparece em cada fase, quando ela passa pra parceria, por que a fase sem sintoma engana e como muda o tratamento.
Quem pensa em sífilis pensa numa ferida. Só que a ferida é o primeiro capítulo de uma história que pode durar décadas.
A sífilis não é doença de um sintoma só. É uma infecção que avança em quatro estágios, e cada um se comporta como uma doença diferente. O primeiro aparece e some. O segundo parece alergia. O terceiro passa anos sem dar sinal. O quarto, em quem nunca tratou, pode atingir o coração e o cérebro.
Saber em que estágio a infecção está muda três coisas: o que você sente, se ela passa pra parceria e como é o tratamento. Por que a sífilis voltou a crescer e como é o teste rápido, eu expliquei no post sobre sífilis. Aqui a gente vai fase por fase.
Estágio 1: a ferida que não dói (sífilis primária)
Quando: de 10 a 90 dias depois do contágio. Em média, três semanas.
O que aparece: uma ferida no ponto por onde a bactéria entrou. No homem, quase sempre no pênis, mas pode ser no ânus ou na boca. Ela é redonda, de borda firme e fundo limpo, e tem um detalhe que engana: não dói. O nome técnico é cancro duro. Às vezes vem junto uma íngua na virilha, que também não dói.
Passa pra parceria? Sim, e muito. A ferida está cheia de bactéria. É uma das fases de maior transmissão.
Em 3 a 6 semanas, a ferida cicatriza sozinha, sem remédio e sem pomada. Quem não sabia o que era entende isso como cura. Não é. A bactéria já caiu no sangue e está se espalhando pelo corpo.
Estágio 2: as manchas que parecem alergia (sífilis secundária)
Quando: de seis semanas a seis meses depois do contágio. Às vezes a ferida da primeira fase ainda nem sumiu.
O que aparece: manchas avermelhadas pelo corpo, que em geral não coçam, inclusive na palma das mãos e na sola dos pés, um detalhe que chama muito a atenção de quem examina. Também podem surgir ínguas, febre baixa, cansaço, placas esbranquiçadas na boca e queda de cabelo em falhas.
Passa pra parceria? Sim. As lesões de pele e de boca estão cheias de bactéria. É a outra fase de alta transmissão.
É aqui que a sífilis ganha o apelido de “a grande imitadora”. O quadro lembra virose, alergia, dermatite. E, de novo, some sozinho em algumas semanas, às vezes voltando uma ou duas vezes ao longo do primeiro ano.
Estágio 3: o silêncio (sífilis latente)
Quando: depois que as manchas somem. Pode durar anos, às vezes a vida inteira.
O que aparece: nada. A pessoa está bem, trabalha, treina, faz planos. A única forma de saber que a infecção está ali é o exame de sangue.
Passa pra parceria? Depende de há quanto tempo. A medicina divide essa fase em duas:
- Latente recente, até um ano de infecção. Ainda pode transmitir, porque as lesões da fase secundária podem voltar.
- Latente tardia, mais de um ano. A transmissão sexual fica rara. Mas a gestante nessa fase ainda pode passar a sífilis pro bebê.
Por isso essa é a fase que mais engana. Não porque ela ataque, mas porque ninguém procura médico sem sentir nada. Muita gente só descobre a sífilis aqui, por acaso: num exame de pré-natal, num check-up, numa doação de sangue.
Estágio 4: quando a conta chega (sífilis terciária)
Quando: de 2 a 40 anos depois do contágio, em cerca de 15% a 25% das pessoas que nunca trataram.
O que aparece: a bactéria, que passou anos quieta, começa a lesar órgãos.
- No coração e na aorta, a grande artéria que sai do coração: inflamação e dilatação, que podem virar um aneurisma.
- No cérebro e nos nervos, a chamada neurossífilis: perda de equilíbrio, dores em choque nas pernas, alterações de memória e de comportamento que podem ser confundidas com demência.
- Na pele e nos ossos: lesões que destroem o tecido onde aparecem, chamadas gomas.
Passa pra parceria? A transmissão sexual nessa fase é rara. O problema é o estrago no próprio corpo.
Hoje ela é bem menos comum do que já foi, porque a maioria dos casos é tratada antes de chegar lá. Mas existe, e é exatamente o destino que o diagnóstico cedo evita.
A sífilis nem sempre respeita a ordem
As quatro fases são o caminho mais comum, não uma regra. A bactéria pode atingir o sistema nervoso, os olhos e os ouvidos em qualquer estágio, inclusive nos primeiros meses. Visão embaçada, dor de cabeça forte ou zumbido em quem teve ferida ou manchas recentes pedem avaliação logo.
E a passagem pro bebê pode acontecer em qualquer estágio da infecção da mãe. Por isso o teste faz parte do pré-natal, e o pai também deve fazer.
O estágio muda o tratamento
A boa notícia vale pra todas as fases: a infecção tem cura. O tratamento continua sendo a penicilina injetável, e o que muda é o esquema:
- Sífilis recente (primária, secundária e latente de até um ano): em geral, dose única.
- Sífilis tardia (latente de mais de um ano, ou quando não dá pra saber há quanto tempo): três doses, uma por semana.
- Neurossífilis: antibiótico na veia, com internação.
Quem define o esquema é o médico, depois de examinar e ver os exames. Não tome antibiótico por conta própria: tratamento errado ou incompleto pode apagar os sintomas e deixar a bactéria no corpo.
Duas coisas que pouca gente sabe. Nas primeiras 24 horas depois da primeira dose, pode aparecer febre e dor no corpo: é uma reação esperada à morte das bactérias, não alergia ao remédio, mas vale avisar o médico. E, no estágio 4, o tratamento elimina a bactéria, mas nem sempre desfaz a lesão que ela já causou. Tratar cedo é o que protege o coração e o cérebro.
Em qualquer fase, a parceria precisa ser avaliada e tratada junto, e exames de sangue ao longo do ano seguinte confirmam que a cura aconteceu.
Onde eu entro nisso
O urologista costuma ser o primeiro médico que o homem procura quando aparece uma ferida no pênis, uma íngua na virilha ou uma mancha estranha. Na consulta, a gente examina, pede os exames que mostram se é sífilis e em que fase ela está, trata e orienta o cuidado da parceria. Com sigilo e sem julgamento.
Se você teve uma ferida que sumiu, manchas que ninguém explicou ou uma relação sem camisinha, não espere a próxima fase dar sinal. Ela pode passar anos calada. Um exame de sangue tira a dúvida, e o check-up do homem é um bom momento pra fazer.
Não sofra com isso. Procure seu urologista para avaliação.
Dr. Pedro Lugarinho Menezes. CRM-SP 161726 / RQE 91992. Atendimento em Sertãozinho e região.
Dr. Pedro Lugarinho Menezes · CRM-SP 161726 / RQE 91992 · Atendimento em Sertãozinho e região.